UM QUASE TUDO
 

 
Eu de novo ; Virginiana ; confusa demais ; sensível também ;Nem sei mais se em mudança constante , mas pelo menos tentando ;ainda totalmante desorganizada ,um caso perdido , segundo minha mãe ; sentido - se sempre "Um Quase Tudo".
 
 


EU LEIO:


Escolhendo a saia
Sorvete de casquinho
A Paixão Medida
Buzznet da Ninalua
Quarto da Luluzinha
Mundo aos Pés
Vate
Pasárgada
■ quase perfeito
Poesias do Lean
Crônicas à Deriva






Um Pouco Mais:
Erótico é a alma












 







Sábado, Fevereiro 04, 2006

O Biombo


"Não me deixe só, mas não chegue tão perto assim.
não me abraçe, não me solte.
não me faça te querer."



Um tabique de madeira escura foi colocada ali antes da mudança , um biombo entre os dois , como preferia dizer. O que dividia . Só assim é possível compartilhar , filosofava ele entre uma e outra baforada de cigarro . Matérias não se misturam ou não te disseram isso ?! Sempre terminava com esta afirmação interrogativa .

Foi o biombo que o impediu de viver com ela , faltou - lhe ousadia para entrar no indevassável .Era alto e escuro o , o biombo .Só depois que o conheci comecei a prestar atenção nesse significado .Biombo . Palavra leve , um pombo voando talvez , é minha cabeça que vê poesia em tudo . Um vocábulo necessário, para ele , como uma porta , uma porta feérica poderia ser, dessas em que todos deveriam ter acesso de vez em quando para entrar e sair sem serem vistos , e até concordo que isso facilitaria a vida , quem nunca acordou e tudo o que mais quis foi chegar ao seu destino sem precisar não irritar- se com papos banais e pessoas chatas , um sonho de consumo em determinados momentos .O biombo era para mim um termo solitário , como ser livre e não conseguir se libertar do cárcere .Mas ele definia como uma possibilidade de viver uma vida , digamos , mais saudável.

Acordei com vontade de dizer tudo isso a ele , aposto que adoraria me ouvir filosofar , mas achei melhor permanecer aqui com meus livros e cadernos sobre a cama , vai que acaba interpretando mal , adora codificar o meu dito e o não , ama bancar o sabichão .Certamente , ficaria irritado e logo pediria um tempo pela invasão .Não ,hoje eu fico aqui ouvindo meus cds que ele odeia , fingindo que a análise já me fez dona de mim .Na espera do telefone .Ele vai me ligar ou assobiar três vezes para eu adentrar com o falso ar de "não preciso de você para nada".

Às vezes eu percebo que ele tiraria a divisão se eu não fosse e voltasse tantas vezes no mesmo dia .É que quem manda em mim pulsa e age tão mais rápido que a razão .Eu me amo nele , ele não .Eu deixo .Me escondo quase que instintivamente , mas quando saio sou assim , meio , visceral . Sem maquiagem , ele vê sempre tudo .

Todo sábado não há biombos entre nós , e neste dia , acordo uma hora antes , me ajeito e chego a esquecer que Clarice Lispector é quem mais bem faz à minha alma .E eu percebo que ele , de maneira sensível e racional , corresponde o afeto com quase tudo que tem de melhor , o que resta ele deixa para ele ,:a maior parte qualitativamente , talvez .E eu digo que só me importo com o que sinto e finjo até que prefiro simplificar a vida.

A única coisa que nós deixamos clara com olhares é a semana seguinte e, eu brinco de faz de conta que eu só me preocupo com a gente .Ainda que eu saiba o nome de quem o divide comigo .É inefável .O único porvir que não me é surpreendente nele é a inconstância .Mas quem disse que eu me importo com isso ? Me importo .

Chego a fazer planos de passar um tempo estudando do outro lado do mundo , mas logo desisto .Quando dá seis horas corro para casa para esperar por ele .Repito pra mim mesma até dizer chega que a pressa toda é para não perder a minha novela preferida e passo horas sem lembrar do meu discurso sobre a frivolidade da televisão .Alguém pode me dizer para que lado eu devo ir para encontrar a saída ?!

Eu sei meu coração é abjeto de pureza .E o que eu quero agora é dez anos de garantia .Mas até os cupins corroem madeiras com o tempo .Quem sabe ? Não sei, hoje é dia apenas de sentir .Domingo repenso tudo isso.




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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Tá, a fase é de escrever coisas cafonas e a culpa toda é do Romulo que ainda me incentiva.Fechem os olhos , porque essa é péssima.

Emaranhado

Nonsense ...continuo sem entender
Procuro pelo que restou das palavras
e embaixo do que não me dizem
corro atrás do raciocínio perdido
gostar, magoar , perder , não ser
como dizia Clarice
Eu sou mais forte do que eu
Noites de aflição como essas terei ainda aos montes
o que não sei é se sofrer
é mais mania do que essência do meu ser
ele inspira meu viver
No entanto todo dia nos renovamos
em um novo quê.

janeiro 2006


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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

Tudo vira dor de uma forma estranha.De alegria efêmera a essa ausência , sempre falta tudo em mim e nos outros .Coisas de adolescente como me dizem , pode ser , mas como me doi de vez em quando . Sou um emaranhado de palavras que não interpreto , textos é mais fácil , ou vc não sabia ?!E sentimentos que me atropelam , confundem, contundem , não me fazem dona . Preciso de provas o tempo todo e como me doi vez em quando o mundo . Escrever também incomoda , embora necessite .Provoca qualquer reação nas pessoas ,me causa medo ,dores viscerais e como amo esta palavra.Mas uma coisa é certa, tudo isso, jurei transformar em palavras este ano. Para o bem ou para o mal :taí, meu primeiro post do ano .


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Domingo, Novembro 20, 2005




Sim , continuo ainda sendo e sentindo como a Lóri . Estava com uma melancolia habitual e resolvi fazer como ela ,uma lista das coisas que posso fazer. Eis , ela aqui então :


escrever por prazer apenas ;
ter momentos ininterruptos só e como preciso disso;
fazer doces estranhos ;
ter medo de magoar e de ser magoada ;
ter humor sempre;
ser irritável
esquecer
mau humor nos meus dias difíceis de mulher e em outros também;
ter vaidade;
não sair sem brincos ;
ser impaciente
esperar
sentir -me estranha com poucos copos de cerveja ;
ir ao museu da república p/ pensar na vida;
gostar e faze café
exigir - me perfeição ;
ser muito imperfeita.




"E a sua voz soara como a de um perdido .Lóri assustou -se .Não , não , ela não estava perdida , ela ia mesmo fazer uma lista de coisas que podia fazer!

Sentou - se diante do papel vazio e escreveu : comer - olhar as frutas da feira - ver cara de gente - ter amor - ter ódio - ter o que não se sabe e sentir e sentir um sofrimento intolerável - esperar o amado com impaciência - mar - entrar no mar - comprar um maiô novo - fazer café - olhar os objetos - ouvir música - mãos dadas - irritação - ter razão - não ter razão e sucumbir o outro que reivindica - ser perdoada da vaidade de viver - ser mulher - dignificar-se - rir do absurdo de minha condição - não ter escolha - ter escolha - adormecer - mas de amor de corpo não falarei"



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Segunda-feira, Novembro 14, 2005

"E ela não sabia como responder .Às cegas teria que pedir .Mas ela queria que, se fosse às cegas , pelo menos entendesse o que pedisse .Ela sabia que não devia pedir o impossível : a resposta não se pede .A grande resposta não nos era dada .É perigoso mexer com a grande resposta "





Desde "A Hora da Estrela" não me encantava tanto com palavras, por isso voltei com essa estória de blog .Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres é daqueles livros que não se consegue parar de ler , deixando assim todas as tarefas acumulando- se ,pelo menos as minhas estão .Tutto bene .

Noutro dia resolvi ser chata ou um pouco mais , fui pedir votos para a poesia de um amigo no orkut ,e para a minha surpresa recebi um scrap meio irônico pelo fato de ter usado o verbo no imperativo .Adoro a força do imperativo , embora não saiba dar ordens , coloquei o "por favor" para amenizar um pouco , isso me fez repensar a escolha do modo verbal .E o que isso tem a ver com Clarice ?! Ah! lembrei. Gosto das palavras que ela usa , parece que escolhe a dedo .É forte , meio feminino , para ser lido em lugar tranquilo . O livro é feérico .

Descobri no meio disso tudo o verbo "comprazer" , desculpem-me a ignorância , mas não o conhecia .Conjugá-lo deve ser um pouco mais difícil , mas que é bonito é . E eu sempre extrapolando o uso do "mas " , então desde já peço para não repararem na pobreza da coesão .Escrever brilhantemente é para pouquíssimos e que bom .

Pensei neste post enquanto preparava um doce quando liguei o computador as palavras fugiram .Quem sabe elas apareçam um dia .



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Quinta-feira, Novembro 10, 2005




" O que acontecia na verdade com Lóri é que , por alguma decisão tão profunda que os motivos lhe escapavam - ela havia por medo cortado a dor .Só com Ulisses viera aprender que não se podia cortar a dor - senão se sofreria o tempo todo .E ela havia cortado sem sequer ter outra coisa que em si substituísse a cisão das coisas através da dor de existir , como antes .Sem a dor , ficará sem nada , perdida no seu próprio mundo e no alheio sem forma de contato ."Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Clarice Lispector .




Depois de um dia entre choro e palavras que já eram para serem ditas , resolvi me expor novamante aqui . Não pretendo ser lida por muitos e nem receber elogios de ninguém pela pobreza das minhas palavras . Confesso que a mentira sincera do meu amigo Rômulo (depois eu coloco o link ) me ajudou a voltar a escrever , então estou aqui relatando de novo os meus dias e cansando a vista de todos com minhas lamúrias .Ah! pelo menos continuarei utilizando as palavras de Clarice para que isso não seja tão chato assim ...


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